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segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Produtora: Hide Park (França) – Clipe: My Eternity (Christophe Charrier/Benjamin Siksou, 2009)

O clipe I Want to Go Home (analisado no post anterior) foi feito pela produtora francesa Hide Park, uma subsidiária da empresa de criação audiovisual Troisieme Oeil Productions. Estão à frente da Hide Park o diretor Christophe Charrier e o produtor Pierre-Antoine Capton. Como de hábito no campo de produção do videoclipe, a empresa não se dedica exclusivamente à realização de clipes,  embora concentre sua atuação em formatos destinados à televisão (comerciais, documentários, making-ofs e programas, além dos vídeos musicais).

Além de I Want to Go Home, outro destaque videoclípico da Hide Park é My Eternity do cantor/instrumentista/ator Benjamin Siksou. Em 2008, o artista francês foi finalista do reality-show Nouvelle Star, o equivalente local do American Idol.

My Eternity é um veículo bastante apropriado para uma estrela francesa em ascensão. As influências musicais estadunidenses do soul, jazz e blues  tão apreciadas na França – são apresentadas como uma jam-session em torno do cantor, que, mesmo estilizada, quer nos lembrar da legitimidade musical do artista (cuja biografia indica uma dedicação precoce à música). Ao mesmo tempo, o clipe investe na boa pinta parisiense do jovem Benjamin, dando especial atenção para sua charmosa cicatriz no rosto. Cool!!



Site oficial da produtora Hide Park (www.hidepark.fr)

I Want to Go Home (Christophe Charrier/Alex Beaupain, 2009)


O videoclipe I Want to Go Home procura ampliar o tema de desencaixe presente na letra da canção. Para isso, a distância da figura amada e o conseqüente sentimento de inadequação ao entorno são retirados do contexto romântico e da cidade de Paris. Em sua singularidade de versos em inglês, o refrão oferece o mote principal para o clipe: Alex Beaupain repete o desejo de retornar ao lar, constata não ter mais para onde ir e, voilá, é mostrado vivendo em um asilo e participando plenamente da rotina de senhores e senhoras de terceira idade.

Investe-se, desse modo, em uma situação que, além de escapar aos lugares comuns dos clipes de amor, se passa em um ambiente passível de ser encontrado em diferentes países. A expressão emocional do cantor tem uma continuidade e está afinada com o desamparo dos velhos, que reflete o medo de terminar sozinho ou apenas afastado do que se foi ou se teve no passado. Por isso, é mesmo emocionante que eles assumam ocasionalmente a dublagem de trechos da canção, em que dizem “quero voltar pra casa” ou “certamente, você não me espera mais”.

Não é comum que a velhice seja tematizada nos videoclipes e, na minha opinião, I Want to Go Home faz isso de uma maneira não condescendente. A colocação de Beaupain entre idosos não pretende demarcar o quanto o artista é diferente deles; pelo contrário, sublinha que, eventualmente, todos podemos ter finais não ideais.

Adicionalmente, parece-me que o clipe faz referência ao recorrente sentimento de alheamento de mulheres e homens com relação às suas próprias conquistas. Em momento emblemático, Alex Beaupain canta “já passei por aqui (...) mesmo minha memória me deixa”, enquanto reconhece na TV um trecho do musical Les Chansons D’Amour (Christophe Honoré, 2007), para o qual ele compôs as canções. De certo modo, isso é tão melancólico quanto a velhinha que não consegue alcançar alguém pelo telefone ou o senhor que, sozinho em seu quarto, escreve até tudo ficar escuro demais.